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Existe um botão na API do GPT-5.6 Sol que multiplica a sua fatura por onze sem trocar de modelo. Ele se chama reasoning.effort, tem seis posições, e a maior parte das equipes deixa no padrão sem nunca ter medido o que as outras cinco fazem com o custo e com a qualidade.
Não estamos falando de escolher um modelo melhor, nem de ligar o modo de raciocínio no ChatGPT. É o mesmo modelo, o mesmo prompt, a mesma tarefa, com uma única palavra trocada na chamada. E a diferença entre a posição mais barata e a mais cara é de 181 para 2.017 dólares na mesma bateria de testes.
Resumo do artigo
- O GPT-5.6 Sol aceita seis níveis de raciocínio, e o custo de rodar o mesmo benchmark varia 11,1 vezes entre
noneemax, enquanto a qualidade varia 1,45 vez. - Se uma tarefa custa US$ 1,00 em
high, ela custa US$ 0,61 emmedium, US$ 0,37 emlowe US$ 2,88 emmax. - O degrau de
mediumparahighé o pior negócio da escala inteira: 63% mais caro por 1 ponto de índice, pior retorno por dólar do que o degrau seguinte. - O retorno do raciocínio depende da distância até o teto do modelo. Em tarefa que ele já resolve,
maxchega a pontuar abaixo dexhigh.
O que exatamente muda quando você sobe o effort
Reasoning effort é o orçamento de pensamento que o modelo gasta antes de escrever a resposta. Ele não altera os pesos, não troca de modelo e não muda o tamanho do texto final: muda quantos tokens invisíveis o modelo queima raciocinando, e esses tokens entram na fatura.
O Sol aceita seis valores: none, low, medium, high, xhigh e max. O padrão é medium quando o parâmetro é omitido. Vale registrar duas confusões comuns. A primeira é o minimal, que aparece no guia geral de reasoning da OpenAI mas não na lista do Sol, então não use. A segunda é o ultra, que não é um effort de API: é um modo de produto do Codex e do ChatGPT Work que coordena quatro agentes em paralelo. max é profundidade em um agente só; ultra é paralelismo entre agentes.
A recomendação oficial da OpenAI para quem está migrando é contraintuitiva e vale como método: preserve o effort atual como linha de base e compare um nível abaixo, não um acima. A pergunta padrão da documentação não é quanto você ganha subindo, é quanto você perde descendo.
Para efeito de conta, o que importa é que esse orçamento de pensamento é cobrado na tarifa mais cara da tabela.
Como o GPT-5.6 Sol cobra o raciocínio
Reasoning tokens são cobrados como output. A documentação da OpenAI é literal: eles não são visíveis pela API, ocupam espaço na janela de contexto e são cobrados como output tokens. Isso resolve a dúvida que mais gera erro de planilha: eles já estão dentro de output_tokens, e aparecem detalhados em output_tokens_details.reasoning_tokens. Somar os dois campos conta o mesmo token duas vezes.
Na prática, o raciocínio é cobrado a US$ 20 por milhão enquanto a leitura do seu documento custa US$ 4 por milhão. É a assimetria que explica quase tudo o que vem a seguir.
| Item | Preço do gpt-5.6-sol por milhão de tokens |
|---|---|
| Input | US$ 4,00 |
| Input em cache (leitura) | US$ 0,40, um décimo do input |
| Escrita em cache | US$ 5,00, ou 1,25x o input não cacheado |
| Output, incluindo reasoning | US$ 20,00 |
| Batch e Flex | metade do padrão, US$ 2,00 e US$ 10,00 |
| Fast mode | o dobro do padrão, US$ 8,00 e US$ 40,00 |
Fonte: tabela de preços da API da OpenAI, leitura de 31/08/2026. A OpenAI declara esse preço como promocional pelo menos até 21/11/2026. O preço de lançamento, em julho, era US$ 5,00 e US$ 30,00, e ainda aparece em análises daquele mês.
Dois detalhes de cobrança mudam contas reais. O cache é automático para prefixos a partir de 1.024 tokens, dura no mínimo 30 minutos e cobra 1,25x para escrever contra 0,1x para ler, o que significa que um prefixo reaproveitado uma única vez já se paga. E prompts acima de 272 mil tokens de input passam a custar o dobro no input e 1,5x no output, no pedido inteiro, não só no excedente.
Seis níveis, um benchmark: a curva inteira
A evidência mais limpa que existe hoje vem do Artificial Analysis, que publica o GPT-5.6 Sol como seis entradas separadas no mesmo Intelligence Index. Mesmo modelo, mesma bateria de nove avaliações, mesma metodologia, só o effort muda. É exatamente o desenho experimental que interessa.
| Effort | Índice | Tokens de output | Custo de rodar o índice | Tempo até o 1º token |
|---|---|---|---|---|
none | 42 | 2,6M | US$ 181,24 | 1,05s |
low | 51 | 6,6M | US$ 255,73 | 2,39s |
medium | 56 | 12M | US$ 429,35 | 3,94s |
high | 57 | 21M | US$ 699,68 | 11,42s |
xhigh | 59 | 35M | US$ 1.107,55 | 43,13s |
max | 61 | 70M | US$ 2.017,29 | 115,19s |
Fonte: Artificial Analysis Intelligence Index v4.1.1, páginas por variante do GPT-5.6 Sol, leitura de 31/08/2026. O índice compõe GDPval-AA v2, τ³-Banking, Terminal-Bench v2.1, SciCode, Humanity's Last Exam, GPQA Diamond, CritPt, AA-Omniscience e AA-LCR.
Leia a tabela em duas colunas e a assimetria salta: os tokens crescem 26,9 vezes de ponta a ponta, o custo cresce 11,1 vezes, e o índice cresce 1,45 vez. O raciocínio escala muito mais rápido do que o resultado que ele compra.
Se high custa US$ 1,00, quanto custa cada nível
Normalizando high em 100, a resposta direta para quem precisa orçar:
| Effort | Custo relativo | Qualidade relativa | Economia contra high | Se high = US$ 1,00 |
|---|---|---|---|---|
none | 25,9 | 73,7 | -74,1% | US$ 0,26 |
low | 36,5 | 89,5 | -63,5% | US$ 0,37 |
medium | 61,4 | 98,2 | -38,6% | US$ 0,61 |
high | 100,0 | 100,0 | 0% | US$ 1,00 |
xhigh | 158,3 | 103,5 | +58,3% | US$ 1,58 |
max | 288,3 | 107,0 | +188,3% | US$ 2,88 |
Cálculo próprio sobre os dados do Artificial Analysis Intelligence Index v4.1.1. Custo relativo é o custo de rodar o índice; qualidade relativa é a pontuação do índice.
O número que resume o artigo está na última linha: max custa 2,88 vezes o que high custa e entrega 7,0% a mais de pontuação. Trocar high por medium devolve 38,6% do orçamento e cobra 1,8% de pontuação.
O degrau mais caro da escada é medium para high
Nenhuma configuração é estritamente dominada: a fronteira é monotônica, cada nível entrega mais que o anterior e custa mais que o anterior. Mas o preço de cada ponto conquistado desaba no meio da escada e nunca se recupera.
Subir de medium para high custa 63% a mais e entrega 1 ponto, de 56 para 57. São US$ 270,33 por ponto, mais caro que os US$ 203,94 do degrau seguinte, que entrega dois pontos. Em porcentagem do orçamento, cada ponto percentual de qualidade nesse degrau consome 22,0% do custo de high, contra 16,6% no degrau high para xhigh.
Há um agravante honesto: 56 contra 57 em um índice composto de nove avaliações é uma diferença que provavelmente cabe dentro do intervalo de confiança do próprio benchmark. Ou seja, o degrau mais caro por ponto da escala também é o único em que não dá para afirmar que houve ganho.
O retorno do effort depende da distância até o teto
Se o effort rende pouco no meio da escala, por que a OpenAI oferece xhigh e max? Porque o retorno não é uma propriedade do modelo, é uma propriedade da dificuldade da tarefa. A ARC Prize publicou o Sol nos cinco níveis, e o mesmo modelo, no mesmo dia, mostra as duas coisas ao mesmo tempo.
| Effort | ARC-AGI-1 | ARC-AGI-2 | ARC-AGI-3 |
|---|---|---|---|
low | 74,5% | 42,5% | 0,33% |
medium | 92,5% | 67,1% | 1,07% |
high | 97,0% | 85,4% | 2,15% |
xhigh | 97,5% | 90,0% | 6,99% |
max | 96,5% | 92,5% | 7,78% |
Fonte: ARC Prize, resultados do GPT-5.6 Sol no conjunto semi-privado, leitura de 31/08/2026.
No ARC-AGI-1, que o modelo essencialmente já resolve, a curva satura em high e max termina abaixo de xhigh, 96,5% contra 97,5%. Você paga 1,8 vez mais para perder um ponto. No ARC-AGI-2, ainda longe do teto, o mesmo salto de medium para max leva o acerto de 67,1% para 92,5%. No ARC-AGI-3, praticamente intocado, o effort é a diferença entre não funcionar e começar a funcionar.
A consequência prática é que a pergunta "qual effort usar" não tem resposta global. Ela tem uma resposta por tarefa, e a variável que decide é quanto a sua tarefa ainda deixa na mesa.
Latência: o custo que não aparece na fatura
O tempo até o primeiro token vai de 1,05 segundo em none para 115,19 segundos em max. São 109 vezes. max leva cerca de 29 vezes o tempo de medium, e high já leva quase 3 vezes.
Isso reposiciona os níveis altos: xhigh e max não são configurações de produto interativo, são configurações de lote. A própria OpenAI classifica xhigh como deep research e fluxos assíncronos. Qualquer interface em que uma pessoa espera a resposta na tela sai da conversa acima de high, independentemente do que o benchmark diga sobre qualidade.
Vale notar que a velocidade de geração quase não muda: fica entre 72,6 e 80,8 tokens por segundo em todos os níveis. O modelo não pensa mais devagar em max, ele pensa por muito mais tempo.
Onde mais raciocínio piora o resultado
Existe uma classe de tarefa em que subir o effort não é caro, é contraproducente. São as tarefas de compressão fiel: sumarizar, extrair campos, transcrever para um esquema. Nelas, o trabalho do modelo é não inventar, e mais deliberação abre espaço para elaborar.
Um estudo de 2025 comparou oito estratégias de raciocínio e três modelos de raciocínio em oito conjuntos de dados de sumarização. A conclusão do resumo é direta: aumentar o orçamento interno de raciocínio de um modelo não melhora a sumarização de forma confiável e pode reduzir a consistência factual. Os autores registram um trade-off entre qualidade e fidelidade, com a fidelidade factual caindo conforme a capacidade de raciocínio aumenta.
A explicação provável é simples. Em tarefa de compressão fiel, o acerto consiste em não acrescentar. Cada passo extra de deliberação é uma oportunidade a mais de o modelo conectar pontos que a fonte não conectou, e essa conexão sai plausível, bem escrita e errada.
Uma medição operacional aponta na mesma direção. A Observe.ai testou quatro níveis de esforço em tarefas de central de atendimento sobre transcrições de chamada:
| Tarefa | low | medium | high |
|---|---|---|---|
| Sumarização de chamada | 94,6% | 95,1% | 96,1% |
| Extração de entidades | 87,5% | 87,6% | não reportado |
| Geração abstrativa | 90,5% | 91,4% | 89,0% |
Fonte: Observe.ai, avaliação de tarefas de central de atendimento. Evidência indireta: os testes foram feitos com o GPT-5, não com o GPT-5.6 Sol, e servem como sinal de direção para a família, não como medição deste modelo.
Em extração de entidades, subir de low para medium mudou o resultado em 0,1 ponto percentual. Em geração abstrativa, high ficou abaixo de low. A latência de high nesse estudo foi de 32,6 segundos contra 2 a 3 segundos nos níveis baixos. A conclusão dos autores é que a profundidade de raciocínio tem impacto mínimo no desempenho e, em alguns casos, reduz levemente a acurácia.
Não há evidência pública que desagregue taxa de alucinação do GPT-5.6 Sol por nível de effort. O que existe é o sinal consistente, em modelos anteriores e em literatura acadêmica, de que tarefas ancoradas em um documento não se beneficiam de mais deliberação da mesma forma que tarefas de resolução de problema.
Como decidir o effort sem chutar
A regra que sai da evidência não é "use medium". É medir a folga da sua tarefa antes de escolher.
- Comece pelo padrão e desça, não suba, seguindo a recomendação de migração da própria OpenAI: fixe o effort atual como linha de base e compare um nível abaixo em um conjunto de casos reais.
- Meça a folga. Se a sua tarefa já acerta acima de 90% em
medium, você está na região de saturação e o effort alto vai comprar latência, não qualidade. - Separe o tipo de tarefa. Resolução de problema, depuração e planejamento longo pagam effort. Compressão fiel de documento não paga, e pode piorar.
- Trate
xhighemaxcomo lote, nunca como caminho interativo, por causa dos 43 e 115 segundos até o primeiro token. - Confira o seu próprio
usageem vez de confiar na estimativa, e compare com a fatura.
Esse último ponto tem um motivo concreto. Em julho de 2026, desenvolvedores relataram no fórum da OpenAI que o campo usage.output_tokens do GPT-5.6 vinha inflado, re-somando o total de raciocínio uma vez por item de reasoning. Um caso registrado reportou 466.818 output tokens para 21.064 reasoning tokens reais. O suporte da OpenAI acusou o recebimento em 13/07/2026 e escalou, e os usuários relataram normalização no fim daquele mês. O episódio não descreve a cobrança de hoje, mas descreve bem por que a sua medição precisa ser sua.
Fontes e método
Apuração de 31/08/2026, a partir de fontes primárias. As especificações do modelo, a taxonomia de effort, a contabilidade de reasoning tokens, as regras de cache e a tabela de preços vêm da documentação oficial da OpenAI em developers.openai.com. A curva de custo, tokens, latência e qualidade por effort vem das páginas por variante do GPT-5.6 Sol no Artificial Analysis, Intelligence Index v4.1.1. Os resultados por effort no ARC-AGI vêm do conjunto semi-privado publicado pela ARC Prize.
Todo número normalizado neste artigo é cálculo próprio sobre esses dados, e a operação está declarada junto de cada tabela. A OpenAI não publica tabela oficial de pontuação desagregada por reasoning effort: o system card do GPT-5.6 apresenta desempenho como função do effort em curvas, sem os valores por nível.
Duas limitações valem ser ditas de frente. A primeira é que o Intelligence Index é composto de problemas difíceis de raciocínio, o que faz dele o cenário mais favorável ao effort alto; em tarefas mais fáceis, o retorno tende a ser menor que o mostrado aqui, não maior. A segunda é que a evidência específica sobre sumarização e extração vem de estudos com o GPT-5 e com modelos abertos, não com o GPT-5.6 Sol, e está rotulada como indireta onde aparece.
Perguntas frequentes
Seis: none, low, medium, high, xhigh e max. O padrão é medium quando o parâmetro é omitido. O valor minimal aparece no guia geral de reasoning da OpenAI, mas não na lista do Sol.
Sim. A documentação da OpenAI afirma que eles não são visíveis pela API, ocupam espaço na janela de contexto e são cobrados como output tokens. Eles já estão dentro de output_tokens, então somar os dois é contar duas vezes.
Pela medição do Artificial Analysis Intelligence Index v4.1.1: cerca de US$ 0,26 em none, US$ 0,37 em low, US$ 0,61 em medium, US$ 1,58 em xhigh e US$ 2,88 em max.
É o degrau de pior retorno de toda a escala. Custa 63% a mais e rende 1 ponto no índice de 56 para 57, uma diferença que provavelmente cabe dentro do intervalo de confiança do próprio benchmark.
Quando a tarefa ainda está longe do teto do modelo. No ARC-AGI-2, subir de medium para max leva o acerto de 67,1% para 92,5%. No ARC-AGI-1, que o modelo já resolve, max fica abaixo de xhigh.
Sim, em tarefas de sumarização e extração. Um estudo de 2025 com oito conjuntos de dados concluiu que aumentar o orçamento interno de raciocínio não melhora a sumarização de forma confiável e pode reduzir a consistência factual.
O tempo até o primeiro token vai de 1,05 segundo em none para 115,19 segundos em max na medição do Artificial Analysis. Max leva cerca de 29 vezes o tempo de medium.